Estréia: A Era do Gelo 3

Scrat e seus amigos protagonizam a aventura mais radical da sérieAs férias da criançada podem parecer uma gelada com esse inverno aí, mas a “Era do Gelo 3” chega aos cinemas para mostrar como uma era glacial pode produzir muito calor. Em cena, temos de novo, aquele mamute temperamental, a preguiça atrapalhada, e um tigre dentes de sabre em crise, porque se considera manso. E a diversão fica por conta dos três ovos de dinossauros achados pela turma. A bicharada pensava que os dinos estavam extintos, mas há sempre uma surpresa debaixo da superfície. Então os ovos eclodem e assim que esboçam o primeiro “mamãe!”, todo um mundo adormecido se revela. Aliás, o espectador pode ver esse mundo caindo em seu colo em 3-D.
Então tome um Dramin, aperte o cinto de segurança e prepare-se porque essa é a melhor aventura dos heróis felpudos criados pelo brasileiro Carlos Saldanha e sua equipe.

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Hamilton Rosa Jr. - Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-TV, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.

As Dicas de DVDs da Semana – Edição 70

Cortesia: www.cinelog.com.br

Verônica (Europa Filmes)
Andréia Beltrão está tão estimulante neste drama policial que pode-se ver porque algumas pessoas a adoram como atriz, outras a odeiam, e ainda outras se sentem divididas. Ela faz a professora de periferia, muito calejada, que parece mais tolerar o cotidiano de ensinar crianças por necessidade de subsistência, que propriamente por princípios altruísticos. E exatamente no instante em que ela se separou do marido policial (Marco Ricca) e os credores estão batendo na sua porta, a madame muito temperamental tem que acolher em sua casa um aluno (Matheus de Sá), cujos pais sumiram.
O jogo de tensão aumenta, quando ela percebe que traficantes e a própria polícia estão atrás do menino.
A atriz dá ao filme uma lufada de emoção e praticamente o carrega nas costas. Sua gesticulação e ritmos vocais e a relação emocional com o menino são bem diferentes do que conhecemos de seus desempenhos cômicos. Ela é sensível, absorvente, estilizada, mas realista. E a emoção se apodera de muitos espectadores, mesmo que o suspense manipulado e a apelação sentimental impeçam o filme de trazer alguma coisa inesperada ou nova. Os cinéfilos, é claro, vão se queixar de que “Verônica” usa demais situações já vistas no clássico “Glória”, de John Cassavetes.
Mas isso não impede o público de embarcar na trama e torcer pela relação de dois improváveis companheiros de fuga e infortúnio, com imenso prazer. Aliás, no Festival do Rio do ano passado, a multidão aplaudiu “Verônica” como se fosse uma nova obra-prima do cinema brasileiro. Não chega perto, mas pode alugar sem medo. “Verônica” é a grande pedida em DVD desta semana.

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Spike Lee traça seu plano mais subversivo

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Quando se fala em Spike Lee, o mais atordoante dos filmes que vem a cabeça é “Faça a Coisa Certa”, ou o épico “Malcolm X”, que por sinal, é uma produção importante demais para estar tão sumida do mercado. Mas Spike Lee late, morde e não solta também em “O Plano Perfeito” (Inside Man), um filme que é vendido como seu trabalho mais comercial, só que vai bem além disso. Talvez seja a produção mais cínica feito em Hollywood na última década. E você encontra o DVD em supermercados sendo vendido pelo mesmo preço de quatro latas de goiabada. 

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Rumba! Salsa! Mambo! Tango! O cinema latino pede passagem

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Saltei da cama hoje prometendo pra minha cara metade que arrumaria as pilhas de DVDs espalhadas por todos os cômodos da casa. Mas é impressionante como a gente demora pra engrenar numa manhã de segunda fria como essa. Aí achei a capinha de “Pantaleão e as Visitadoras” e comecei a fantasiar com aquela colombiana, vocês sabem, aquela morenaça que não é Gabriela, mas tem cravo e canela. A moça é a deslumbrante Angie Cepeda. E de repente me toquei que, já escrevi mais de 2500 resenhas de filmes no CINELOG, mas neste período todo pouco abordei o que é que o cinema latino tem.
Vou desfazer essa injustiça porque ninguém merece ficar de fora do CINELOG!

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Tem Transformers, transformistas e até transformeta nas telas!

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Ninguém sai enganado de uma sessão de “Transformers – A Vingança dos Derrotados”. Na primeira cena uma narração cavernosa já avisa os filhos e os pais, arrastados pela molecada para mais essa jornada cinematográfica, que “eles” estão entre nós e não há nada que possamos fazer. Eles, você já sabe quem são, portanto é completamente dispensável dar nome aos trens.
Melhor é ficar esperto para ver quem tem olhos azuis, porque esses são os bonzinhos, são os reluzentes, são os curvilíneos. Ah, a mocinha Megan Fox não é feita de lataria, mas também tem olhos azuis, é curvilínea e tão reluzente que dá vontade de passar cera nela também.
E a gente se segura na sessão por causa dos pimpolhos. É realmente um filme para as crianças? No momento em que um robozinho tarado começa a se esfregar nas pernas de Megan Fox, adultos acham graça, e meu filho de cinco anos reclama que não é este tipo de ação que ele quer ver.
Mas aí vem um momento mais saboroso, o garoto herói Shia Labeouf, descobre que a boazuda da faculdade na verdade é uma transformeta cheia de tentáculos finos que entram em qualquer orifício. E o herói foge apavorado só de imaginar o que ela tenciona fazer.
Ficou com medo aí? Eu também fiquei aqui.
Deve ser por isso que ninguém para de correr no filme.

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As Dicas de DVDs da Semana – Edição 69

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Milk – A Voz da Igualdade (Universal)
Não é exatamente um filme sobre o mundinho GLS como muita gente pode pensar. É um coquetel molotov preparado pelo diretor Gus Van Sant para todas as minorias da América, os latinos, os negros, os gays e todos os “S”s que continuam se achando discriminados.
E o mais inusitado é que quando a garrafa explode sobre a máquina conservadora, não pega fogo, mas flores se espalham!
O filme trata de uma insurreição, uma insurreição elegante. A de um grupo de gays que apanhava dos policiais na rua Castro (em San Francisco) não porque os confrontava, mas pela simples razão de que os ogros policiais não queriam respirar o mesmo ar. E Harvey Milk saiu do meio do grupinho do Arco Íris para ponderar. Para debater as leis, alterar o cenário regional e estender a discussão da intolerância a esfera nacional.
Sempre de modo inteligente e espirituoso.
Assim convoca as minorias como se fosse um general: “Meus amigos, estou aqui para recrutá-los…”, e quando percebe que está parecendo um sindicalista fazendo piquete, apara a barba, os cabelos, veste um terno e promete: “Agora nada mais de orgias, sauna ou erva, nem para mim, nem pro meu cachorrinho!”.
E o mais divertido é vê-lo confrontando os próprios companheiros: “Quem aqui ainda não contou para os pais que saiu do armário, por favor seja macho, pegue o telefone e conte tudo agora!”
Sim, o discurso é espertamente empacotado por Van Sant – um cineasta abertamente homossexual - para criar empatia com o publicão. Podemos dizer, inclusive, do razoavelmente burlesco Milk, personagem em que Sean Penn maravilhosamente interpreta, que ele não é muito diferente dos heróis de Frank Capra. Como James Stewart, o homem simplório que chega a Washington e pede a palavra. E essa forma de passar da história individual à história da diversidade sexual e, mais um passo em frente, à história de todos os indivíduos que formam uma nação, é o que torna o filme atrevido, instigante, um dos melhores feitos no cinema norte-americano recente.

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O pack de Joaquim Pedro é fenomenal

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Tá aí um cineasta brasileiro que soube como poucos fundir o erudito com o popular ao filmar a comédia humana tupiniquim e ganhar a admiração tanto dos críticos como do público. Joaquim Pedro de Andrade subia as favelas para sentir o Brasil do povo e lia Gilberto Freyre. Focava os olhos no drible de Garrincha e pensava no futebol espetáculo se amparando até nas letras de Nelson Rodrigues. E se era para conceber o escândalo de um padre fugindo com a moça, que lugar melhor para pensar nesses sentimentos que no famoso poema de Carlos Drummond?
Neste ambicioso pack que a Videofilmes está lançando no mercado, você pode sentir o engenho e arte de um mestre das misturas. Um visionário que não se intimidou em encher a piscina do Parque Laje de feijoada e sugerir que a cultura brasileira estava todo ali dentro. O box não apenas reúne os seis longas e oito curtas que marcaram a carreira do autor de “Macunaíma” e “Guerra Conjugal”, em cópias restauradas que parece que foram rodadas ontem. A caixa expande as possibilidades de leituras com documentários, making ofs e libretos de 24 páginas incluídos em cada um dos seis discos.

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O Leão do cinema brasileiro - Entrevista Exclusiva

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Antônio Leão da Silva Neto é o nosso IMDB brasileiro. Você quer saber alguma coisa sobre cinema nacional e o cara te alivia a memória, te corrige ou te ensina. Perguntei pra Antônio se já tinha ouvido falar de uma chanchada obscura dos anos 70 sobre um japonês pasteleiro, e o homem respondeu na lata: “se me permite – sim, ele é muito educado - não é dos anos 70, é 80; chama-se “O Pasteleiro” e é um episódio de um longa, “Aqui, Tarados!”, do David Cardoso”.
OK, um a zero pro Leão. Mas eu tento sair pela tangente, indagando sobre o que ele acha do cinema nacional atual, e ele novamente me interrompe: “Qual cinema? 50% dos filmes que estão sendo produzidos no Brasil hoje não entram em cartaz. Será que dá para dizer que temos uma boa amostragem do que está sendo feito?”
A resposta é muito pertinente e Antônio Leão, que é economista, se esmera em levantar estatísticas nas 1.152 páginas do seu “Dicionário de Filmes Brasileiros – Longa Metragem”. Aliás, diante da profusão de detalhes meticulosos que se alongam por mais de 4 mil resenhas, você fica com vontade de recolher-se a sua insignificância.
Porque não existe nada no mercado editorial brasileiro com a envergadura da pesquisa deste moço. O Dicionário chega oficialmente nas livrarias na semana que vem. Mas Antônio encaminhou em primeira mão o livro para o CINELOG e me concedeu essa entrevista bem-humorada.
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O crime moderno é executado nos bancos?

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Esqueça os russos, esqueça os terroristas do Oriente Médio, o crime moderno é executado nas esferas altamente civilizadas dos bancos multinacionais. Pelo menos é o que defende esse “Trama Internacional”, que estréia hoje nos cinemas. Pra dizer a verdade, do jeito que cobram tarifas do pacato cidadão, eu sempre suspeitei que eles eram nossos inimigos mais impiedosos. Mas o filme é mais moderno que isso. O diretor Tom Tykwer, de “Corra Lola, Corra” usa o corre corre de pretexto para viajar por alguns centros arquitetônicos do planeta e brincar com a geometria louca dos ambientes usando um circuito de multicâmeras.
Hitchcock, é claro, é mais que fonte de inspiração aqui, mas será que ele se empolgaria com a técnica de Tykwer?

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E aqui para ler sobre filmes que marcaram a evolução do gênero de intriga internacional no cinema.

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As Dicas de DVDs da Semana – Edição 68

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Quem Quer Ser Um Milionário? (Europa)
O vencedor do Oscar deste ano é o samba do indiano doido. Começa como um programa de auditório, muda para uma intriga de investigação policial, com direito à cena de tortura, depois vira crônica social (com a turma de uma favela devidamente maquiada como se estivesse na novela das oito) e termina com os atores ensaiando uns passinhos à la Dirty Dancing. Será o triunfo do cinema multicultural ou apenas um hype que muita gente já está torcendo para acabar?
Hum… a idéia é intrigante, e Boyle luta como um doido para converter em algo mais que um puro exercício de estilo.
A construção do enredo é muito hábil. Temos na sala do interrogatório Jamal Malik (Dev Palev), um Zé Ninguém, semi-analfabeto, que está próximo de vencer dois milhões de rúpias no programa Quem Quer Ser o Milionário?, e a produção da TV manda prendê-lo porque acredita que ele está trapaceando. O delegado o tortura, depois repassa cada resposta que o garoto acertou, e a justificativa do rapaz vem em flash-backs, que servem também para apresentar sua vida.
Existe inclusive um senso de ironia neste mote que se revela promissor: a idéia em usar o programa, para criticar a forma como a televisão, no geral, e os seus intérpretes, analisam o ser humano pela superfície. Sim, todos somos radiografados por aquela lente fria e avaliados pelo que aparentamos, pelo nosso trabalho ou pela nossa classe social, mesmo antes de abrirmos a boca. E com isso perde-se a crença na própria dimensão do individuo.
Boyle, é claro, tenta dar relevo a Jamal, à sua imagem, ao seu tempo e ao seu ambiente. Tenho cá minhas dúvidas do quanto ele consegue, já que a miséria dos bons é fofinha, dos maus, repulsiva, e a Índia que temos aqui é mais lúdica que qualquer filme de Bollywood que eu já tenha visto antes, mas o publicão, uma boa parte da crítica e a Academia de Artes embarcaram. Então quem sou eu pra estragar a festa?
Pra dançar na pista de dança da sua casa.

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