
Segundona. O chefe pede para eu moralizar a turma. Eu bocejo. Ele ri.
Pelo menos no trabalho a gente tem que manter as aparências.
Educação moral e cívica na veia.
Acontece que meu ofício é criação. E invariavelmente meu fim de semana auxilia a produção que é uma beleza.
Eheheh, e esse meu domingão foi de Má Educação e Kinsey.
O curioso é que são dois filmes que tratam de superação de preconceitos do passado, “Kinsey”, no final dos anos 40, “Má Educação” nos anos 60 e 70, e basta uma circulada rápida pelas ruas para sentir que continuamos no final dos anos 40.
Pra uma segundona, portanto, meu brado em favor da livre manifestação sexual, é perfeito, porque seguro o lápis e a mão mexe como se eu tivesse fazendo uma psicografia.
Ah, o pessoal de TI (treinamento e motivação das empresas) precisava ver essa! Parece coisa de operário padrão condicionado.
Aliás, considerem Kinsey e Má Educação como vídeo de treinamento, porque pelo menos no meu caso a produção jorra!
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Hamilton Rosa Jr. - Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-TV, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.
Arquivado como: DVD on Fevereiro 8th, 2010 | Comente »

A lâmina da faca de Brad Pitt parece mais brilhante e afiada em DVD. E os efeitos do jorro de sangue parecem mais próximos. A sensação da sujeira do crime é quase palpável e me imagino como John Travolta limpando a TV e o tapete para não deixar nenhum rastro aparente.
É claro que “Bastardos Inglórios” não vai agradar gregos e troianos, da mesma forma como nenhum dos filmes anteriores de Tarantino agradou. Mas deve-se dar a mão a palmatória. Não há melindres no cinema deste realizador. Ele mexe com as noções de tudo. Da geometria linear em oposição aos desvios narrativos, do cinema trash com o clássico, do bom gosto com o mau gosto. E não tem medo de misturar filme de guerra com faroeste, drama de holocausto com comédia de disfarces.
Na guerra de Tarantino vale tudo, de crítico de cinema bancando espião, a atriz se fazendo passar por uma genuína Mata-Hari. Os Bastardos, bem estes parecem a turma do fundão, brincando com o faqueiro da mãe.
E Hitler, vejam só, dá gritinhos histéricos.
O senso de humor negro é ferino nesta terra a fantasia defumada por labaredas de fogo e regada por jatos de hemoglobina.
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Arquivado como: Cinema on Fevereiro 4th, 2010 | Comente »

Precisamente às 12h15 de ontem eu terminava de assistir ao vivo na TV o anúncio das indicações ao Oscar 2010. Uma hora depois descobri vasculhando links no site de buscas do Google que podia puxar sete dos dez indicados ao prêmio de melhor filme para assistir na minha casa. Duas horas depois descobri que podia puxar os dez.
Às 10 horas da noite (veja o quadro acima) o arquivo de quatro dos filmes já estavam disponíveis para sessão com a família.
Todo esse trabalho foi feito a título de ilustração jornalística. Sei, como a maioria dos outros milhões de internautas do planeta, que isso é ilegal, fere os direitos de propriedade do artista, e complica ainda mais a situação da indústria.
Mas jornalisticamente a questão sempre é discutida de forma velada, como se isso fosse problema exclusivamente da indústria do cinema.
Não é. O próprio jornalismo passa pela maior crise deste que essa nova forma de democracia começou, e a indústria editorial entrou na espiral do ralo, e continua desesperadamente nadando para sair.
Alguma coisa, de certo, precisa ser feita, reajustada, reinventada. Mas é preciso tomar muito cuidado com quais ditames assumir, já que nunca a noção de liberdades Individuais foi oferecida de uma forma tão plena como na web.
A questão central que se coloca é: como infundir a necessidade da propriedade nas atividades on line para um imenso contingente que aprendeu a ter as coisas de graça e já se habituou com a nova brincadeira?
O 3-D proposto por James Cameron, surge como opção ingênua (mas é uma opção), o esquema de distribuição em todas mídias de uma vez, sem janelas, é outra mais considerável, mas independente de como a nova ordem fique, mais importante é não cair no risco de criar um modelo retaliador como aconteceu recentemente na China.
Nossos sucessos e falhas têm que estar disponíveis para que qualquer um os veja, para serem discutidas, debatidas e amadurecidas.
Seja no cinema, no jornalismo ou em qualquer outro mercado.
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Arquivado como: Cinema on Fevereiro 3rd, 2010 | Comente »

“Clube da Luta”, argh, faz uma década e, pior, hoje também é dia do meu aniversário e um amigo, que não sabe de minha aversão ao filme, me presenteia justamente com o blu-ray do próprio.
A saia é justíssima.
O cara adora o filme, eu até hoje fico tentando entender a idolatria que existe em torno do cinema de David Fincher, e em especial a este “Clube”.
Ah, o que você ganha com tanto comentário fora de hora, com tanta impertinência, Hamilton?
Sinceramente? Nada.
Mas fico tocado, porque o filme foi dado de coração, e é de coração que convido ele e vocês aí, caros leitores do CINELOG, para encher a cara e falar bobagem hoje à noite no Bar do Ed.
Vai ser divertido.
Mas divertido agora para mim é saber que estou um ano mais velho, logo é sempre bom remexer no empoeirado baú de preconceitos, só pra checar se estou mais maduro ou se realmente virei um tiozão.
Eehehe, e neste sentido, “Clube da Luta” vira um excelente teste e confronto.
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Arquivado como: DVD on Fevereiro 1st, 2010 | Comente »

Clint Eastwood encontra Nelson Mandela em Morgan Freeman e traz para gente mais um filme que tem tudo para se tornar um clássico. “Invictus” mostra a incrível sinuca de bico política em que Nelson Mandela se envolveu na África do sul, após derrubar o regime apartheid e ser eleito o primeiro presidente negro do país. A população branca continuava a controlar a polícia, o exército e a economia, enquanto, fora do país, a opinião pública achava que Mandela tinha pirado, porque só queria saber de torcer pelo time de rúgbi.
Como?
Havia tantos problemas: falta de habitação, comida, desemprego, desvalorização da moeda e o cara se refugiava no esporte.
A verdade é que Mandela era um estrategista, percebeu que não podia reerguer o país sem derrubar as fronteiras do racismo. E é muito perspicaz ver como ele manipula os anseios com o esporte para unir a nação.
Mais que o jogo de cintura político, Eastwood faz uma ode a importância do mito no esporte e na torcida.
E é muito comovente ver como ele arma essa equação.
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Arquivado como: Cinema on Janeiro 29th, 2010 | Comente »

Fazia tempo que eu não me divertia tanto com um filme de horror. Esse “Zumbilândia”, que estréia em grande circuito amanhã, tem o clima de um excêntrico passeio de trem-fantasma. E viagens de trens para mim são sempre estimulantes, mesmo quando você sabe o que te espera virando aquela curva.
Pois os adoráveis zumbis deste filme, quando aparecem, nos surpreendem, assustam e, na maioria das vezes, arrematam a cena com gargalhadas vis.
É uma ficção, o mundo foi dominado rapidamente por essas criaturas predatórias e o que sobrou foi uma confusão apocalíptica, com um líder zumbi que se veste de palhaço.
E há mortos vivos de todo tipo: zumbi astro de cinema, zumbi criancinha vestida de princesa, zumbi comerciante, zumbi empresário, zumbi gostosa e peladona. E também um quarteto de sobreviventes dos mais pitorescos sendo acuado no lugar mais improvável: um parque de diversões.
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Arquivado como: Cinema on Janeiro 28th, 2010 | Comente »

Desconfiem de George Clooney. O cara faz pose de mestre de cerimônias da América, mas sempre dá um jeitinho de cutucar feridas em seus discursos. Feridas velhas e feridas novas. Fosse nos anos 50 e iria para fogueira, mas hoje quando nenhuma palavra parece muito definitiva, o homem se beneficia das arestas para transmitir suas mensagens, seja atuando, dirigindo, produzindo ou apresentadondo teletons.
Pessoalmente admiro seu trabalho como ator em filmes como “Amor Sem Escalas”, ou “Queime Depois de Ler”, mas é o produtor (de “Syriana” e “Conduta de Risco”) e o diretor (de “Confissões de Uma Mente Perigosa” e de “Boa Noite, Boa Sorte”) que parecem refletir toda a ironia política em contexto.
Onde acaba o teatro? Onde começa a vida?
Clooney está fazendo essas perguntas sempre nas entrelinhas de seus trabalhos.
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Fuço os novos blu-rays numa ponta de estoque e dou de cara com uma capinha anunciando: Revertemos maldições, quebramos feitiços, exterminamos demônios!
Com chuva, enchente e desgraça que não acaba mais, parece uma excelente pedida.
O filme, para quem não adivinhou ainda é o mal fadado “Os Irmãos Grimm”, de Terry Gilliam. Lembro-me que foi apedrejado pela crítica e foi um fracasso de bilheteria. Não merecia. Os achados visuais de Gilliam são sempre criativos, mas o sujeito é danado. Conserva um lado Monty Python que o impede de fazer um filme censura livre. E isso é um contra senso, porque os maiores entendidos em irmãos Grimm são os pequenos.
Bom, esse é um caminho para avançar o texto, mas prefiro abrir uma bifurcação e deixar correr pra onde der. Lembro-me que o filme me instigou quando vi nos cinemas e para um blu-ray o preço é convidativo: R$ 45,90.
Levo para casa e ao final da sessão tenho uma grata surpresa. Gilliam não apresenta Jakob e Will Grimm apenas como dois sujeitos capazes de espantar mal olhado e feitiçaria. “Os Irmãos Grimm”, na verdade, funciona como antídoto para o diretor retomar sua carreira, depois de quase chegar no fundo do poço com sua famosa adaptação de Dom Quixote que não aconteceu.
É uma espécie de filme-talismã.
Agora não espere um Gilliam mais comportado, contido. Porque é mais forte do que ele.
O cara se arrisca, mesmo na beirada do abismo.
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Arquivado como: DVD on Janeiro 24th, 2010 | Comente »

Não existe no cinema hollywoodiano, estrelas mais eficientes a personificar o charme, o sucesso e a energia da América que George Clooney e Michelle Pfeiffer. Mas a dupla dá a maior banana para as aparências. Em “Amor Sem Escalas”, Clooney é um tubarão do neocoorporativismo, tentando esconder o sangue nos dentes. Sobrevoa a América fazendo propaganda da gestão eficiente, mas quando desce do avião demiti todo mundo. Em “Chéri”, Michelle Pfeiffer se despoja da vaidade pra mostrar como o outono de uma estrela pode ser seu momento mais belo.
Ambos estão terríveis, ferinos, mas acredite, conseguem até ser engraçados.
Clique aqui para ver o comentário em vídeo de “Amor Sem Escalas”.
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Arquivado como: Cinema on Janeiro 22nd, 2010 | Comente »

Substitutos (Buena Vista)
Tá com dor de cabeça? Não quer ir para escola? Tá querendo dar uma escapada do trabalho? Coloque a sua cópia robótica para fazer o que você não quer. É com esse mote muito promissor que a ficção “Substitutos”, estrelada por Bruce Willis começa.
Willis deita pra descansar e sua cópia sai vestido de peruquinha para bancar o herói de ação. A questão é que todo mundo faz isso, não existe limites, crimes começam a acontecer, e a dificuldade é enquadrar o assassino, já que sempre existe a possibilidade de por a culpa nos robôs.
Ver Willis caçando uma robô que é a cara da Barbie, e pulando por cima dos caros como pulga, é imensamente divertido. E o diretor Jonathan Mostow (de U-571 e O Exterminador do Futuro 3) é profissional de primeira quando se trata de criar cenas eletrizantes. Agora é preciso não levar muito a sério o roteiro, afinal pular de prédios e correr a mais de 90 quilômetros por hora, desviando do trânsito, faz questionar porque é que a tecnologia dos Substitutos é tão avançada e a indústria automóvel não progrediu. Aliás, se os Substitutos são tão rápidos e resistentes, para que precisam as pessoas de carros, que mais parecem uma despesa supérflua?
Esquecendo detalhes deste tipo, o filme se agüenta melhor que a maioria.
Clique aqui para ver mais dicas de lançamentos que estão chegando em DVD essa semana nas videolocadoras.
Hamilton Rosa Jr. - Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-TV, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.
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