Vergonha

O sexo é o tema, a nudez é explícita e o filme, uma maravilha.
Brandon Sullivan (Michael Fassbender) é o bem sucedido publicitário que leva vida de playboy. Mas por trás dessa imaculada imagem, o solteirão esconde uma existência bem mais sombria. Desamparado de qualquer sentido de moralidade, Brandon envolve-se em constantes encontros sexuais que são incapazes de saciar a sua extrema dependência física e emocional. Em suma, o que ele busca é um escape sexual, um contato físico, seja ele qual for, como forma de aplacar a enorme angústia e agitação interior,
No meio deste turbilhão de conflitos surge Sissy (Carey Mulligan), a irmã mais nova. Cantora de talento, Sissy denota uma fragilidade similar à do mano, ainda que esta se manifeste de forma completamente distinta.
Juntos e apesar do inevitável choque, os dois irmãos tentam lidar com as suas lacunas, encurralados nos profundos problemas de ambiguidade afetiva.
Tal como tinha acontecido na sua obra de estréia, Fome, o diretor Steve McQueen filma esta fragilidade com rara sensibilidade, optando invariavelmente pelo caminho mais tortuoso. No cinema do realizador inglês não há espaço para suposições. Ele vai direto ao ponto, por mais que isso possa chocar. Já tinha batido reto na sequência da greve de fome de Bobby Sands, agora o faz com a vergonha de Brandon Sullivan.
McQueen é duro, preciso e frio no desnudamento de seu personagem. Não só. Do ponto de vista de direção, faz um filme preciso e geométrico – há longos e rigorosos planos-sequência – diálogos inteligentes e ríspidos e a fotografia de tom azul metálico cria uma impertinente aflição. Se McQueen se mantém fiel à linha diretora que tem moldado a sua (ainda curta) carreira e o seu sucesso junto da crítica, Fassbender se entrega como um cordeiro em sacrifício. Exibe-se até numa sequência de nu frontal que beira as raias do pornô e que curiosamente gera discussão.
Uma bobagem, como o próprio ator disse numa entrevista: “Metade do mundo tem um pênis e outra metade já viu um”, então como podem os meios sociais tão carregados de violência, achar a simples visão de um membro constrangedora?
Em poucos palavras: McQueen pára pra fitar o espectador nos olhos.
E quem não aceita, melhor passar longe.

Hamilton Rosa Jr. – Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-TV, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.

A Invenção de Hugo Cabret

Deslumbrante imersão de Martin Scorsese pelo universo infantil. Nesse “A Invenção de Hugo Cabret” o mundo vira um complexo brinquedo formado por engrenagens, polias rebites e contrapinos que de alguma forma precisam se encaixar. E Scorsese é o relojoeiro, que com precisão suíça, vai ajustando cada peça até fechar um lindo quebra-cabeças. Em clima matemático, portanto, divide seu filme em duas partes. Na primeira revela-nos o mundo de Hugo (o garoto Asa Butterfield), como ele se insere nos anos 20 em Paris, seu talento para consertas relógios e sua condição solitária de observador, olhando as pessoas e o movimento sempre por trás das paredes. A condição de voyeur, aliás, é de puro deleite: torna essa primeira parte quase em cinema mudo.
Em companhia de Hugo há apenas um pequeno robô quebrado, que ele acredita que com as peças certas possa ganhar vida e talvez, quem sabe ser o amigo que ele precisa. Afinal, o pai de Hugo morreu e ele foi morar com o tio nos porões da Estação de Paris, mas o homem misteriosamente sumiu e ele está sozinho, a procura de algo, talvez uma resposta para a sua mecânica existencial.
Então o mundo de Hugo se abre na segunda parte. O menino se aproxima de um senhor (Ben Kingsley), dono de uma loja de brinquedos, que se revela ninguém menos que o esquecido cineasta Georges Mellies. E quem melhor para falar de Méllies, que um amante da memória do cinema como Martin Scorsese?
Nesta sequência, temos a recriação do fantástico mundo de um cineasta mágico com imagens incríveis da encenação do curta “Viagem à Lua” (1902), e que inclui as sequências restauradas do filme original, além de outras pérolas das origens do cinema. É um momento onde se revela a paixão e a angústia de um personagem marcado pelo tempo, mas vivo na mente das pessoas através do poder das imagens.
De fato, a ambição de Scorsese é tão desmedida, que até comove. Há imensas camadas pra se deleitar e apenas uma ida no cinema não resolve. Desde a leitura mais direta (infantil?) que passa por seguir duma forma mais linear a fascinante história, passando pela apresentação instrutiva para as novas gerações do que foi os primórdios do cinema, até uma leitura mais existencial, onde somos ironicamente colocados como peças de um grande sistema.
No entanto, muito mais difícil é conseguir que esse argumento tão sistemático  chegue aos nossos olhos duma forma tão sublime! Desde a escolha dos atores, até o mais ínfimo pormenor, quer no decor, quer no tratamento dos contrastes e da cor, profundidade de campo (em que Scorsese é mestre, com ou sem 3D), o diretor orquestra tudo com mão de mestre. Por sinal, este talvez seja o filme em que Martin Scorsese mais se dobra as chamadas novas técnicas e não deixa de ser curioso como ele as use para nos “falar” do passado.
Por outro lado, em “Hugo” está implícito e explícito todo o apelo ao sonho que, para o melhor e para o pior, o cinema trás consigo desde os primórdios. E que ao sonho e à ousadia de ousar, ironicamente passe pela repetição. Sim, temos que aceitar o cinema como a arte mais genuína criada pela revolução industrial. E é maravilhoso se tocar que, de certa forma, ele continua sendo a mola propulsora da criação no século 21.
A Invenção de Hugo Cabret é isso, a fábrica de sonhos, onde mais uma vez, o jovem (sem aspas) Martin Scorsese ousa criar uma obra-prima.
 
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O grito do Artista mudo

Esse George Valentin é o herói mais insolente do cinema do momento. No lugar das cores, brilhos e do 3D ele prefere o monocromático preto e branco. E em vez do imponente som em alta fidelidade esboça o grito, mas não ouvimos sua voz.
O ano é 1927, estamos em Hollywood no apogeu do cinema mudo e George Valentin (o ator francês Jean Dujardin) é o astro das matinês. Enfrenta o mal na base das acrobacias e termina sempre salvando o mundo e ficando com a mocinha.
Quando a sessão acaba as pessoas aplaudem, ele desperta a imaginação das crianças e cativa as mulheres com seu bigodinho fino e retro, mas bastam dois anos para ele passar da fama ao ostracismo. Chega o cinema sonoro e George não adere a tecnologia, porque se acha maior do que qualquer modismo.
Na sequência, Valentim se apaixona por uma garota (Berenice Brejó) que se tornará a atriz-símbolo do que ele tanta despreza. No filme essa transição serve de metáfora para a obsessão que une os dois personagens principais e ao mesmo tempo os afasta. É verdade que já vimos algo semelhante em Nasce Uma Estrela e em Cantando na Chuva com muito mais pompa.
Mas o diretor Michel Hazanavicius não se intimida diante dessas duas obras-primas. Nem estabelece uma aura mítica ao protagonista. Não estamos diante de um grande talento, George Valentin não é um gênio incompreendido, está muito longe de um Orson Welles. Ainda assim, quer preservar uma arte, e o filme uma análise fascinante sobre a motivação obsessiva de se criar uma arte intuitiva, uma arte de pequenos gestos.
Melhor ainda: o diretor Hazanavicius se rende a essa obsessão, sem o embaraço de parecer por vezes simples ou ingênuo. Pode ter certeza que alguns irão tachar o filme de old fashion e o diretor de um idealista retrógrado, mas isso só confere um apreço maior a essa obra concebida fora de qualquer espírito propagandístico.
E também dos rótulos. Não é velho, não é novo. Mas aguça os sentidos de qualquer cinéfilo com puro prazer.

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Millennium traz a síntese do cinema de David Fincher

Não há dúvida que esse “Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, de David Fincher, emociona, mas essa emoção não é necessariamente um prazer. A trama, baseada no best-seller de Stieg Larsson, trata de hipocrisia, sexo e devassidão, e o desafio numa adaptação dessa história é justamente escapar do sensacionalismo fácil que permeia a superfície. Nas entrelinhas as engrenagens sociais giram e há algo de extremamente venenoso acontecendo, que nem o herói jornalista Mikael Blomkvist, que começa a história amarrado num escândalo de corrupção, e nem a jovem hacker Lisbeth Salander, que fatura uns trocos investigando a classe empresarial, conseguem lidar.  A qualidade do livro e também da versão sueca do filme reside em tornar as circunstâncias cada vez mais angustiantes.
A versão de Fincher passa a régua nessa angústia, e torna a história mais pop, a começar pelos créditos na abertura desfilando como se estivéssemos vendo um clipe sado-maso encomendado pela MTV. Aí entra em cena um Daniel Craig carrancudo se mordendo do frio local e uma Lisbeth com um look plagiado de Edward Mãos de Tesoura. Bem que Rooney Mara se esforça para mostrar que há vida por trás da maquiagem pesada, mas é energia demais para um resultado discutível. Aliás, a atenção concentrada em Mara é tamanha, que Fincher esquece o resto do elenco feminino: Robin Wright e Joely Richardson estão lá mais como adereços de cena. Até parece que quem verdadeiramente não ama as mulheres é o diretor.
Finalmente passamos pela ênfase sobre a elogiada palheta claro-escura da fotografia. Os exteriores brancos – cenas de neve caindo o tempo todo – se intercalando com os interiores escuros onde o mal impera à base de facadas, assassinatos, estupro, são o mais puro puro e deslavado clichê.
E tem mais: observe como toda a violência parece armada para causar sensação.
Faz parte do cinema de Fincher. Como tudo que cria: tem “clima”, é bonito de ver e está na moda.

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A Separação

Em cena apenas três personagens. Uma mulher, o marido e um juiz. A mulher quer o divórcio, o marido não aceita. E o juiz nega a separação, alegando que não há comum acordo. Estão entre quatro paredes, mas a problemática é tão ampla que reverbera além. Existe uma criança entre eles, a filha de onze anos, e também uma série de sonhos que forma sendo sufocados no desenrolar do casamento. A mulher quer sair do país e quer que o marido e a filha sigam junto. Ele se recusa a ir porque tem de cuidar do pai, que sofre de Alzheimer. Diante do impasse, ela deixa a casa em que vivem. Mas a filha decide ficar com o pai, porque acredita que sua mãe vá regressar.
O drama é tão seco aqui que causa uma espécie de choque: em geral não ouvimos falas tão amorais no cinema como neste filme, e o mais surpreendente é que a discussão ocorre dentro de uma sociedade islâmica. A Separação é um filme iraniano que tem mais coragem para falar das liberdades individuais e da natureza da justiça do que os atuais filmes ocidentais.

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Os Descendentes: fácil de ver e fácil de esquecer

No cinema americano atual, sem dúvida, Alexander Payne é dos poucos que pensam num espectador adulto. Em parte, e porque a escolha é cada vez mais reduzida, isso explica o sucesso que o filme tem tido nos mecanismos tradicionais de Hollywood, e por certo continuará a ter (pode dizer o mesmo de “Moneyball”, filme que sob determinada perspectiva é bastante parecido com este de Payne). Não tem truques, não acelera, não tem luzinhas piscando para chamar a atenção. Merece respeito por fugir da tradição. Mas não todo esse barulho em torno, como se estivéssemos diante de um momento capital do cinema.
Estamos longe disso. Os Descendentes não corre riscos, nem traz qualquer grau de ambigüidade. A mulher do personagem de George Clooney sofre um acidente, fica em coma, e o cara fica entontecido frente a necessidade de administrar um lar e aceitar as convenções. Reúne as filhas, visita os familiares e os amigos, compenetra-se no seu papel de pai e de marido, tem que lidar com um patrimônio familiar que, vem passando de geração em geração – e por fim se toca que é herdeiro de uma tradição do qual não tem certeza se quer escapar.
O filme é “bem escrito”, dos diálogos à organização narrativa, tem uma fluidez e uma elegância que dão tanto prazer como têm tendência a frustrar (sabe aquela velha máxima pasoliniana que diz que um filme deve “destruir o argumento” ? Em “Os Descendentes” não há sequer um plano que se “revolte” contra o argumento).
De fato, temos dois, três momentos em que o filme vai além da escrita, quer dizer, onde se passa alguma coisa de ordem transcendente. São, por ordem: a corrida desesperada de Clooney (em “tempo real”) depois de saber da infidelidade da mulher (que está em coma); o mergulho da filha mais velha depois de saber que a mãe vai morrer; e o plano final, sobre o qual o pai e as filhas em frente à televisão, encontram uma maneira de se recompor se alienando na telinha. E é isso.
Há uma decência, quase uma ternura – no modo como Payne é justo com todos e, dependendo do ponto de vista, você pode achar isso admirável ou inaceitável. Cinema de diplomata. Não agride nenhum grupo, nunca é desagradável e também não produz nenhum arroubo. É fácil de ver e fácil de esquecer.

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Ninguém escapa dos Amores da Casa de Tolerância

A atmosfera neste L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância
é de final da Belle Époque. Entramos no dia a dia das mocinhas tristes e deprimidas que dão corpo a um requintado bordel parisiense. Madeleine, Samira, Julie, Clotilde, Léa e Pauline são lideradas pela sua Madame, que gere a casa com elegância e um conjunto de regras rigorosas. Pauline é a última a entrar no espaço em decadência e a única que de lá sai, mas há um contrasenso nessa saída. A ânsia pela liberdade se esvazia, porque quando a prostituta consegue largar a vida, sente-se um irônico saudosismo no ar.
Que coisa inquietante pode ser o coração de uma puta. Elas se abrem pra tudo e a câmera de Betrand Bonello desliza sobre os corpos, criando uma atmosfera esmaltada de sonho a cena, sem deixar de expor a crueldade mercantil do jogo. As jovens mulheres são servas da madame, são servas dos desejos mais obscenos. Mas e daí? Existe tesão e satisfação no rosto das meninas. Há o êxtase de correr riscos. É tudo ritualizado e muito chique. Começando pelos preparativos, o esmero na sessão de maquiagem, o carinho no ajuste da lingerie, a entrada imponente em cena.
Não há problema em voltar bombardeadas. Afinal, elas participam de um clube de cavalheiros, gente que é capaz de assinar um sorriso a faca no rosto de uma bela mocinha e ficar por isso mesmo.
O sabor caústico do filme vem da violência embutida em um mundo que se diz civilizado, e que Bonello mostra que nunca avança. Seja no começo dos 1900 ou em 2012, os anseios, os afetos e a luta pelo poder permanecem os mesmos. Para ilustrar sua visão, estão lá, as melindrosas, dançando ao som da música pop da nossa era. A trilha sonora inclui “Nights in White Satin”, na versão do Moody Blues, e “Bad Girls”, cantada por Lee Moses.
Tanto em “O Pornógrafo” como em “Tiresia”, Bonello mostrou que podia ir longe com o sentido de erótico, mas é aqui que ele alcança o lado escuro deixado de fora das velhas tramas clichês. Quem ama o cinema não pode deixar de visitar essa casa.

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Super 8 ou quando o prazer da aventura se revela no rolo de um negativo

Entre meados dos anos 70 e 80, Steven Spielberg e George Lucas despejaram o armário de brinquedos na frente da câmera e sem medo de serem taxados de infantis, recolocaram o cinema nos trilhos do imaginário e da fantasia, de onde tendia a descarrilhar.
30 anos depois, esse cinema infantil que Spielberg e Lucas resgataram, geraram tantos subprodutos e foram tão mal anabolizados pela era digital, que o trenzinho novamente balança.
Não parece, portanto, gratuito da parte de J.J. Abrams começar Super 8 justamente com a imagem de um trem desgovernado.

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Cláudio Assis solta seus ratos em Paulínia

Depois de fazer a gente chupar a amarga manga, o diretor Cláudio Assis esquece a fruta e despeja uma horda de ratos sobre nós. Há os que vão amar e também os que vão odiar e sair correndo desse cinema de choque que “Febre do Rato” vem nos propor. Mas em meio ao grão de loucura, de poesia cândida e suja que dançam na tela, temos um dos filmes mais lúcidos feitos no cinema nacional nos últimos tempos.

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Mel Gibson, o castor e os fantoches

Quando se pensava que não havia mais saída para o ator Mel Gibson, eis que um novo Mel Gibson se reinventa neste irônico Um Novo Despertar (The Beaver). E se reinventa com uma outra voz, voz de um fantoche.
Mais do que estar num estado de profunda depressão, o personagem de Gibson, não consegue nem mesmo receber o apoio familiar, todo mundo parece ter desistido dele. Por isso é curioso ver o personagem literalmente à beira do precipício, pronto para se jogar quando ouve a voz do tal Castor. Aliás, quem fala quando o castor fala?
A questão pode parecer uma piada. Mas envolve mesmo um drama primordial, e primordialmente humano: quem sou eu para o outro? Ou ainda: que “eu” apresento, e edifico, na minha relação com o outro?
O negócio começa pequeno assim neste Um Novo Despertar e vai ganhando dimensões cada vez mais intrigantes. Provavelmente só um ator ou atriz conseguiria lidar com esta história do homem-com-um-fantoche-de-castor-na- mão. Por quê? Porque ela envolve a mais desarmante exposição do nosso eu interno e eu externo: você não sabe quem eu sou… e eu também não sei. Complicado, não? Sim, existe Mel Gibson, existe o personagem Walter Black, existe o Castor e existem muitos fantoches, com vozes de vários tipos, que talvez nem mesmo Jodie Foster como diretora consiga articular, ainda que pareça ciente disso. Vozes alegres, arrogantes, manipulativas, fracassadas, patéticas. Vozes sensíveis.
Simplificando, digamos que se trata de um dos filmes mais inclassificáveis e fascinantes do momento. Efeitos especiais para quê? Nenhum é tão complexo como pode ser um ator em frente a uma câmara.

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