
Ilha do Medo (Paramount)
Na tradução infeliz para Shutter Island, o filme ganha título de filme de terror, mas não é bem isso que Scorsese nos apresenta. Nesse “Ilha do Medo, um hospício esconde temores sobre a América feliz dos anos 50, que é melhor manter abafado, se você não quiser ficar louco. O policial, vivido por Leonard DiCaprio, chega ao tal sanatório para investigar o misterioso desaparecimento de uma paciente (às vezes Emily Mortimer, outras, Patricia Clarkson), e suspeita que os médicos usam os doentes como cobaias de experiências terríveis. Pior, o mundo fica mais sombrio quando ele descobre que um dos diretores do hospício pode ser um médico nazista, que, olha só, pode estar sendo financiado pelo próprio governo americano.
É um filme apavorante. Scorsese não nos deixa com nenhuma pista segura a seguir. E o hospício vira uma sala de espelhos, onde podemos detectar fantasmas de todo tipo.
O medo do agente de não encontrar respostas racionais para o desaparecimento da paciente, a reticência do diretor do sanatório (Ben Kinglsey) em dar explicações sobre seu trabalho e parecer um monstro, a reserva do médico alemão (Max Von Sydow) em falar de sua origem ou de seu passado.
Vale contextualizar: o filme mostra exatamente o momento em que os sanatórios deixaram o tratamento clássico com métodos de choque (coma insulínico e eletrochoque) e o substituíram progressivamente pelos psicofármacos (cloropromacina, reserpina e seus derivados), que também eram terríveis, sobretudo, porque provocavam efeitos colaterais.
O personagem de Leonard DiCaprio se indigna com os métodos, quer tratar os loucos como pessoas comuns, convence o diretor do sanatório a deixá-lo conversar com os pacientes. E essas conversas (na verdade, uma tentativa mais leve de interrogar os loucos, que estavam mais próximos da mulher desaparecida) revelam as próprias nuances do que é ser louco.
Se você enxerga uma parede azul e todo mundo teima em dizer que a parede é vermelha, não resista com o azul, porque as pessoas começarão a olhar você diferente.
O jeito de olhar, portanto, é a base central desta “Ilha” de Scorsese.
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Hamilton Rosa Jr. - Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-TV, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.
Arquivado como: DVD on Julho 29th, 2010 | Comente »