Estréia: Última Parada 174

É o representante brasileiro ao Oscar este ano, e está sendo alvejado por críticos de todo lado como a decisão mais infeliz do corpo de júri que o elegeu. Pesa o fato de derivar do contundente documentário “Ônibus 174”, de José Padilha. Mas “Última Parada 174″ não merece a vala comum.
Os dois filmes exploram um crime que ocorreu em um influente bairro do Rio de Janeiro, no dia 12 de junho de 2000. Um jovem, com arma em punho, tentou roubar os passageiros de um ônibus e acabou os tornando reféns. Foi nesse cenário que se seguiu um longo e frustrante impasse enquanto o assaltante, Sandro de Nascimento, desafiava a polícia, ameaçando matar as pessoas se suas exigências um tanto incoerentes não fossem cumpridas.
O drama foi assistido pela TV ao vivo por milhares de brasileiros e tinha uma fascinação fúnebre, havia um delicado e culposo suspense em assistir seu desfecho. Padilha usou uma combinação da fita gravada pela TV e entrevistas que seguiram o caso, e fez um documentário que tem a força da tragédia e a profundidade do jornalismo investigativo.
Já “Última Parada 174” não está à procura da fidelidade histórica. Barreto segue por um viés mais humanista. Seria muito fácil dizer que ao romancear o fato, ele está atrás da síntese, da denúncia de um sintoma, ou de exemplificar um indivíduo como representante de algo. Mas não foi bem isso que eu senti vendo o filme. Barreto busca as diferentes singularidades de um indivíduo dentro de um meio social. Seu cinema persegue o espaço da subjetividade encenada para a câmera em contraposição à categorização proposta por documentários nos quais indivíduos podem ganhar etiquetas redutoras.
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Hamilton Rosa Jr. - Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-TV, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.
Arquivado como: Cinema on Outubro 24th, 2008
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