Estréia: Dúvida

Philip Seymour Hoffman e Amy Adams em Dúvida

As freiras dos filmes de Hollywood são como uma caixa de chocolates de supermercado: você sabe exatamente o que está levando, e se dividem em dois tipos - crocante ou macio. Ou são atormentadas por paixões impossíveis ou são muito simpáticas (cantando e/ou voando). Embora às vezes sejam monstruosas, manda a tradição que sejam beatas, uma qualidade que Hollywood, pouco habituada à santidade, confunde com idiotice.
Mas a verdade é que poucas vezes elas parecem as freiras de verdade que conhecemos. A madre superiora astuta de Anne Bancroft em “Agnes de Deus” (1985) é mais real que a maioria. Mas Audrey Hepburn (”The Nun’s Story'’, 1959) nunca ensinou ciências em minha escola (acredite, eu estudei numa escola cheia delas), e a diretora não era Deborah Kerr. Teologicamente falando, mesmo nos filmes que têm as intenções mais respeitosas, o retrato das freiras tende a ser tão farsesco quanto um esquete de Monty Python.
Agora em “Dúvida”, John Patrick Shanley, investiga esse mundinho enclausurado, que vive num braço de força entre a tradição e adeptos de reformas. Mais que isso: no meio desta arena temos os jovens corpos e almas dos alunos correndo alto risco. E um padre (Philip Seymour Hoffman) e a madre superiora (Meryl Streep) estão decididos a salvá-los, quer eles queiram, quer não.

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Hamilton Rosa Jr. - Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-TV, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.

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