Neil Marshall mostra que não tem juízo e isso é ótimo!

Cortesia: www.cinelog.com.br

Neil Marshall sabe que o cinema é uma experiência séria e cara, envolve a colaboração de uma equipe imensa, e que os produtores esperam no mínimo um diretor cheio de juízo para orquestrar toda a fanfarra. Marshall, é claro, faz sim com a cabeça, e finge cumprir essa tarefa cada vez que senta naquela cadeirinha.
O currículo deste diretor inglês, aliás, parece escrito a lápis. Em “Dog Soldiers”, os produtores tinham a esperança que Marshall fizesse um filme nauseante de lobisomens, mas disfarçadamente ele rodou uma comédia (sanguinária, que bem se diga) mostrando que o último estágio da formação de um soldado só podia ser a transformação em Besta.
E no angustiante “Abismo do Medo” brincava com o horror que todos temos do escuro, colocando cinco dondocas dentro de uma caverna obscena. E as moças perdiam os bons modos conforme desciam os degraus da evolução. No final do abismo até protozoários pareciam mais civilizados.
Mas em nenhum filme Marshall tinha praticado mais molecagem do que esse que está estreando hoje nos cinemas.
Juízo Final (Doomsday) é vendido como ficção apocalíptica, mas parece um filme de DJ. Um DJ cinéfilo, que fique bem entendido, porque Marshall pega enxertos de um “Fuga de Nova York” aqui, de um “28 Dias Depois” ali, e mais um “Mad Max” acolá, joga nos pratos de sua cachola e mixa, remixa, faz back to back, repassando todos os conceitos do que é se divertir com o cinema.

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Hamilton Rosa Jr. - Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-TV, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.

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