Operação na Ipiranga deixa a rua limpa. Mas apenas por 15 minutos

14h41 de sábado, cruzamento da Ipiranga com a Duque de Caxias. O movimento dos ambulantes comercializando DVDs piratas é intenso. E o negócio é organizado: há vigilantes que monitoram toda a região com rádio, e eles antecipam os passos da polícia, fazendo os vendedores sumirem numa fração de segundo. Na verdade, a estratégia dos camelôs da Ipiranga sempre foi montar a banquinha próxima da saída do Metrô e, no menor sinal de aviso correr para dentro da estação.
Mas a polícia, aparentemente descobriu o macete no último sábado. E em vez de vir pela rua, veio pelo Metrô. Resultado, os ambulantes ficaram sem esconderijo e foi o maior sufoco. Eram 14h52 e o grupo foi sendo cercado, subiram a Duque de Caxias, se agruparam na Praça Dom José Gaspar, mas foram rechaçados por camburões que chegavam pela avenida São Luiz.
Nova correria. Mas agora todos se espalharam. Em menos de 30 segundos não havia mais sinal dos comerciantes em nenhum lugar. Também não havia nenhum sinal de prisão. Resolvi voltar a Ipiranga para fotografar a rua limpa. Realmente todo mundo tinha sumido. Olhei no relógio antes de fazer o clique: 15h05.
Atravessei a rua, procurando um ângulo adequado para enquadrar o metrô na foto. E estava tranqüilamente fazendo meu ensaio, quando um ambulante na maior cara de pau montou novamente sua banquinha. O flagrante está aí acima. A coragem de resistir do ambulante é digna de comoção. Ele corre risco de ser preso, mas logo aparecem outros, para mostrar que ele não está sozinho. As bancas vão sendo montadas novamente. Saio de cena e imagino quantas vezes mais ele teve que enfrentar a polícia na tarde daquele sábado. Será que realmente vale a pena?
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Hamilton Rosa Jr. - Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-DVD, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.
Arquivado como: Notícias on Março 30th, 2008
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