Review – A vida de John Holmes
A performance de Holmes em filmes era tão descomunal quanto o tamanho de seu pênis. Reza a lenda, que o dito cujo, em situação de animação, batia em 38 centímetros na fita métrica, mas as amigas mais íntimas diziam que era puro exagero. Na melhor condição de alongamento, o cara alcançava apenas 25,6 cm. De fato é muito pouco, né? Mas quem sobreviveu àqueles anos loucos de libidinagem, conta que uma noite na cama com o sujeito era memorável.
Contudo, deve-se pontuar uma biografia com alegrias e tristezas, senão o relato fica artificial. E de fato, a vida do homem era uma festa só na frente das câmeras. Por trás, ele comia o pão que o diabo amassou. Desde cedo, levava bordoadas do pai, um beberrão violento chamado Carl Estes (o nome real de Holmes era John Curtis Estes). Um belo dia, o pequeno Johnny resolveu revidar, empurrou o pai escada abaixo e, pensando ter matado o velho, fugiu de casa e se alistou no Exército.
Passou três anos na Alemanha e, quando teve sua dispensa, arrumou vários trabalhos: foi caixeiro viajante, operário de máquinas de moer café, e até motorista de ambulância (quando conheceu sua primeira esposa, a enfermeira Sharon Gebenini).
Por dois anos, ele trabalhou num açougue industrial, e de tanto ficar no meio de carnes congeladas acabou pegando pneumonia - três vezes! A ironia suprema, que propiciou uma guinada na vida do pequeno Johnny, ocorreu numa dessas “férias forçadas”.
O rapaz estava num bar em Gardena, fazendo seu pipizinho básico, quando um senhor ao lado ficou pasmo ao vê-lo desenrolar a ferramenta. O senhor, cujo nome se perdeu na história, era produtor de filmes pornô e logo convidou nosso herói para fazer filmes de 8mm - coisa que ele aceitou, mas escondeu o fato da esposa (o que era fácil na época, já que não existia o mercado de VHS e DVD que conhecemos depois).
Verdade que o pequeno Johnny não conseguiu omitir o assunto por muito tempo, porque o gênero pornô, que era considerado um produto clandestino, de repente explodiu. Começou a se propagar em salas pelos EUA, graças primeiro ao sucesso de “Garganta Profunda” e em seguida pela fenomenal repercussão causada por “O Diabo na Carne de Mis Jones”. De repente pornô virou coisa “chique” e Holmes se tornou o principal porta-voz masculino deste novo “boom”.
Em 1975, o ator ganhava 3 mil dólares por dia de trabalho. Claro que a essa altura a primeira esposa já o tinha largado, mas nem houve tempo para o pequeno Johnny chorar, seu prestígio cuidou para que as mulheres nunca saíssem do seu lado. Ah, ele também conheceu Julia St. Vincent, que produziu o tendencioso documentário “Exhausted” (do qual vários trechos foram recriados no filme “Boogie Nights”). Eles namoraram sério, mas após um curto affair com a ninfeta Dawn Schiller, que o dedou a policiais e o levou a processo, por aliciação de menores, Julia St. O largou.
Aliás, Holmes nunca conseguiu limpar seu nome no cartório. Apesar de constar no Hall da Fama da XRCO (X-Rated Critics Organization), esteve envolvido em dezoito processos por porte e uso de drogas. E passou 111 dias preso devido a uma acusação de assassinato em 1981. O caso até hoje é comentado: Holmes participava de uma orgia na casa de um amigo, onde quatro pessoas foram encontradas mortas no dia seguinte. Ele não era suspeito, mas depois que descobriram que uma delas morreu por hemorragia anal, a prisão e julgamento foram quase instantâneos.
À certa altura, Holmes também tentou deixar o mundo pornô e investiu pesado na produção de filmes convencionais. Ele adorava filmes policiais e achava que entendia do riscado. Só que as produções que rodou eram precárias e seus dotes dramáticos risíveis.
O negócio de Holmes era mesmo no paraíso da industria pornô. Ele voltou para lá e, se não fosse o maldito HIV, seria um homem feliz para sempre. Não rolou.
Ainda hoje se procura um substituto à altura. O único candidato ao posto de mais bem-dotado, Dick Rambone, nunca teve uma performance tão convincente quanto a de Holmes. Rambone mal conseguia erguer seus (supostos) 40 centímetros. Houve ainda o caso do famoso Long Dong Silver, que dizem tinha uma ferramenta que atingia 45,5 cm… a anormalidade de Long Dong, contudo, um dia foi desmascarada. O cara usava uma prótese!
Hamilton Rosa Jr. - Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-DVD, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.
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