Mulheres e carrões à prova de morte

Para os que só viram na miúda, vocês não imaginam o que é ser contemplado com a visão de “À Prova de Morte” em tela grande. Vi numa sessão concorrida na Mostra Internacional de São Paulo há quatro anos e cai na besteira de rever uma parte da versão genérica que anda circulando pela web. Digo uma parte, porque não tive paciência de acompanhar nestas condições. São dois filmes diferentes. A ênfase de Tarantino pelas superfícies se perde um bocado em tela pequena. Sua câmera desliza sob pernas e pés femininos com uma volúpia sem igual. E é preciso ter essa experiência no obsceno escurinho do cinema, pra evitar constrangimentos!
Isso mesmo, porque “À Prova de Morte” parece que foi feito por um diretor de cinema B daqueles bem sórdidos. Doente de amor pelas mulheres e doente de amor pelos carros. Veja só: Tarantino abre sua trama com o ronco de um V-8 e com os pés de uma mocinha no painel de um mustang. Em paralelo, vemos uma belezura desfilando de calcinha pelo apartamento. Uma terceira aparece descendo do carro e correndo, apertada pra fazer xixi. É o mundo das mulheres segundo Tarantino. Um mundo em que elas exercem a liberdade para ficar a vontade. É o paraíso. E é claro, que nem todo mundo pensa assim. Enquanto, o trio de mocinhas saem pra balada e discutem quem tem o traseiro mais vistoso - a mulata Julia ou a latina Arlene - um carro sinistro segue o rastro das moçoilas pela noite.
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Hamilton Rosa Jr. - Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-TV, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.








